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Graffiti \Graf*fi"ti\, n. pl.
any writings or drawings on a
surface in a public place.
Such graffiti are usually
considered as form of vandalism.

O Custo "São Paulo"

08 Dezembro 2009

Há tempos convivemos com o termo "Custo Brasil". Ele sempre foi usado para justificar a falta de investimentos ou o preço abusivo de alguns produtinhos. Também era utilizado de maneira simplista e arriscada para sugerir uma drástica redução da carga tributária. Grande parte dos proponentes nunca se preocupou em explicar como teríamos mais e melhores professores, policiais e infraestrutura etc etc. Importa, para eles, dividir menos e ganhar mais. Viajei...

Eu quero falar mesmo é do Custo São Paulo. Pelo Twitter, neste exato momento, vejo o depoimento de vários colegas falando de caos, apagão, vias alagadas... o inferno de quase sempre. Os problemas de todo período de chuvas, neste ano piorados pela volúpia "obreira" do (des)governo de SP.

Muitas empresas, particularmente do mundinho de TI, são irritantemente guiadas exclusivamente pelo 'cara do financeiro'. Aquisições e contratações parecem ter um único guia: o preço.

Pois bem, tá na hora dessa turma considerar o custo de se viver e trabalhar em São Paulo. Abre aí uma planilhinha excel e começa a contar toda a grana que vai para o ralo porque:

  • Os colaboradores gastam horas no trânsito;
  • Colaboradores não conseguem chegar no trabalho;
  • Colaboradores fazem hora extra para compensar atrasos;
  • Colaboradores rendem pouco porque estão preocupados com os efeitos da chuva;
  • Colaboradores estão infelizes.
Parece coisa subjetiva mas não é não. Se for o caso, se você não consegue medir produtividade, então considere apenas os 3 primeiros itens da lista. Mas faça a conta!

Garanto que concluirão que São Paulo não vale a pena. Colocando de outra forma: São Paulo se tornou cronicamente inviável.

Trampo remoto e mudança para o interior são as duas principais alternativas. Deveriam ser consideradas por todo mundo. Ou alguém aí acredita que aquela obra (de R$ 1,3 bi!) na marginal adiantará alguma coisa?

Papo fantástico rola neste momento no "Linha de Passe" da ESPN Brasil. Papos fantásticos o título do Mengo tá motivando. Tese do quase sempre certeiro Trajano: o Mengo foi campeão porque seus jogadores são mais felizes. E são mais felizes porque têm mais liberdade.

A liberdade que o Adriano mereceu. O comportamento humilde e sereno do Andrade. O tratamento dado ao Pet. São várias as "provas" da liberdade que gerou a felicidade do Mengo. Felicidade retribuída na forma de felicidade para a maior torcida do Brasil.

Juca Kfouri e PVC ajudaram a lembrar outros momentos do futebol onde a felicidade (produto da liberdade) rendeu frutos ou, melhor dizendo, troféus. Romário no Barcelona e na Copa de 94; a Democracia Corinthiana; O Botafogo mágico de Nilton Santos e Garrincha etc.

Trago o papo para nosso mundinho (raramente feliz). Dias atrás folheei um livro dedicado a CIO's. No capítulo sobre Desenvolvimento o autor resumiu assim suas dicas: Contrate bons programadores e trabalhe para mantê-los felizes. Não vou me lembrar agora do título ou do autor (o livro é fraquinho). Mas a dica acima vale muito.

E o que vemos por aí, como práticas default de nosso mercadinho? Programadores engravatados em pleno verão de 32°C de média em Sampa; Profissionais aprisionados por horários fixos de entrada e variáveis na saída (comumente estendidos e transferidos para um banco de horas que raramente será convertido em grana); Estilão "comando & controle" na condução de projetos de desenvolvimento; Esquemas draconianos que impedem que profissionais do conhecimento possam utilizar a Internet; Projetos malucos e atividades caducas que só fazem sentido no Pinel ou em filmes do Buñuel; Planos de longo prazo e promessas tão críveis quanto aqueles de nossos amados políticos...

Eu poderia ficar aqui por horas listando coisinhas que contribuem para a infelicidade de muitos de nossos colegas. Mas você já entendeu meu ponto. Periga até ter se lembrado, como eu, do refrão d'um som do Fagner (quem?): "Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz ..."

Olha, até que dá. Desde que você não seja palmeirense nem tenha medo de mandar seu empregador ir na esquina ver se te encontra lá. Diga para ele que, caso não o encontre, aproveite o passeio e cate latas.

Tristes Ricos Trópicos

03 Dezembro 2009

Sei lá quem disse que é "triste o país que precisa de heróis". Pior é aquele que pretende educar com leis e mais leis, proibições e mais proibições. Não percebe que assim reconhece a total incapacidade de seu povo de aprender, entender e respeitar.

É curioso que exatamente neste ponto da história, em que Pindorama é celebrada pelos quatro cantos do mundo como uma Nação vibrante e atraente, internamente nossos políticos disparam uma série de travas e mordaças e afins.

Um colunista da Folha (provavelmente o Marcelo Coelho) já havia reconhecido o padrão: não tem muito tempo, o "povo" gostava de políticos que mostravam obras. Hoje parece que o "povo" tá adorando políticos que promovem leis que reduzem nossos espaços e direitos. Vide a alta aceitação das recentes leis "higienistas-facistas" do (des)governo de SP.

Percebe o tal "povo" o perigoso antecedente que abre? Claro que não. Ainda não.

Por isso o Senador Valdir Raupp (PMDB-RO) se sente no direito de criar uma lei que nos tira o direito de escolher o videogame para uso próprio ou de nossos filhos e sobrinhos. No meu mundo, meus caros, isso só tem um nome: CENSURA.

Mas parece que muitos pais e responsáveis estão adorando isso tudo: a radical terceirização da educação de seus filhos. Devem saber o que estão criando.

Precisa dizer que esse tipo de coisa nunca funciona? Precisa dizer que isso aí só faz criar um mercado negro? Claro que não, estamos carecas de saber.

Sinceramente, começo a achar perigoso demais o fato do nosso crescimento econômico não significar um crescimento como sociedade. Sei que sempre há um descompasso, mas estamos exagerando. Só espero que não estejam testando nosso limite. Porque até a mansidão bovina, que tanto nos caracteriza, deve ter um limite.

Fábrica de Estressados

30 Novembro 2009

TI sempre foi uma fábrica de estressados. Seja em operações ou em projetos, a norma é sempre ver profissionais sobrecarregados, trabalhando no limite físico (e de prazos). E é muito estranho que um vergonhoso histórico de acidentes, bugs e fracassos não resulte em revisões na maneira como equipes são dimensionadas e estruturadas.




As organizações, sempre orientadas por um único fator: Custo, seguirão com a esperança de que é possível obter mais com menos (profissionais). Míopes, seguirão ignorando que acidentes, bugs e fracassos, no final das contas, custam muito mais que uma equipe um pouco maior (e melhor).

Portanto, o que estranho mais é o fato dos profissionais da área seguirem se sujeitando a práticas que vão do absurdo ao draconiano com escalas em soluções hilárias. Estranho porque, na média, estamos falando de profissionais com bom nível cultural e relativamente exigentes. São exigentes, por exemplo, em relação a flexibilização de horários de trabalho, ambiente etc. Por que, então, aceitam de cara boa responsabilidades cada vez maiores?

Há quem diga que esse espírito voluntarioso é fruto dos desafios - "nós adoramos desafios!". Outros dirão que é falta de opção: seria pegar o trampo ou ficar desempregado. Perdão, mas acho isso tudo uma imensa besteira. Existem desafios e Desafios. Mas nenhum justifica 100hs de trabalhos adicionais por mês. E quem tem medo de perder o emprego normalmente é o primeiro na fila do seguro-desemprego.

.:.

Pra variar, desenvolvi o texto ignorando por completo o tema que o motivou. Seguinte: na Info do mês tem um artigo chamado "A Mutação do Webmaster". Citam Guilherme Ranoya, professor da FIAP:

As empresas exigem cada vez mais de uma única pessoa. Muitos estão exaustos ou assustados com o esforço que têm de realizar para acompanhar as mudanças.

Em outro trecho, um brinde da Info: "o webmaster não precisa ter diploma, mas deve conhecer pelo menos três linguagens de programação e estar familiarizado com métodos como Ajax ou ferramentas como o Flash, programar, modelar e realizar operações de banco de dados. Deve saber configurar servidores, com suas devidas extensões para programação em PHP, Ruby on Rails e Java, entre outras. Tem de configurar máquinas virtuais para montar servidores de teste, desenvolvimento e produção, configurar redes e servidores de email e gerenciar suas políticas e usuários".

Kkk... faltou pedir para ele lavar, passar e fazer um cafezinho! Pô, será que não percebem o tamanho do absurdo? Ok, eu já tinha falado sobre isso em julho. Mas acho que seguirei falando. No mínimo para ganhar mais dois ou três amigos que saibam dizer: "Não, obrigado".

Nós, bravos tupiniquins, temos a triste mania de ignorar debates quando ainda temos chance de participar; e de chorar depois, reclamando de tudo e todos.

É certo que a maioria nem sabe que alguns debates acontecem. Nossa grande mídia faz questão de não divulgá-los ou tratá-los como notas de rodapé. Sabe-se ou desconfia-se bem de suas razões.

Bão, exatamente neste momento rolam duas "consultas" que podem mexer muito com nossas vidas, a virtual e também a real. A primeira e mais impactante trata do Marco Civil da Internet (leia-se: Nossos Deveres e Nossos Direitos na Grande Rede). É sério, não acha? Se sim, saiba mais no link abaixo (o prazo para o chororô preventivo se encerra no próximo dia 17/dez):

http://culturadigital.br/marcocivil/

A outra não é bem uma consulta pública, mas merece igual atenção. Trata-se da proposta do MinC (Ministério da Cultura) para alteração da lei de Direitos Autorais. Um resumo também pode ser conferido no site Cultura Digital.

É nítida a intenção de flexibilização da lei. O fair use é ampliado e formalizado de diversas maneiras. Chama a atenção algumas sugestões que, em minha opinião, são de difícil implementação. Por exemplo: a taxação de cópias (citam o termo xerox no resumo). Coisas assim, impossíveis de serem fiscalizadas, costumam gerar mais barulho do que resultados. Mas, no geral, as propostas são boas e coerentes com o mundo atual.

Há um detalhezinho meio perdido ali que vai mexer com muitos apresentadores (falsos jornalistas) e emissoras de rádio e TV: a proibição do Jabá! Agora eu quero ver como que artistas de 5ª categoria ganharão visibilidade.